De Lisboa a Valência são precisamente oitocentos e
oitenta e dois quilómetros, todos estes quilómetros que me separam fisicamente
de uma pessoa que admiro, não só a nível futebolístico, como a nível pessoal.
Todo este espaço separa-me do João, e eu queria acabar com esta distância por
uns dias, para poder vê-lo jogar ao vivo, para poder voltar a estar com ele!
Nem tudo foi fácil: a luta financeira que tive de
fazer (paguei 100% da minha viagem e das minhas despesas, recusando todo o
dinheiro que me pudesse ser emprestado ou dado), a luta pessoal (onde pessoas
que esperava apoiarem-me, obrigaram-me a escolher entre o meu sonho ou elas), e
todas as outras pequenas lutas que tive de fazer para poder realizar o meu sonho
e acredito que foram todas estas que deram um sabor ainda mais especial ao meu
sonho. Parece que tudo é fácil e simples, mas acreditem que todas as
dificuldades no final valeram a pena, e deram ainda mais “gosto” ao meu sonho,
foram elas que fizeram com que o sabor fosse ainda mais especial e
inesquecível.
Já fez um ano (e apesar de ter uma péssima memória)
lembro-me de grande parte dos pormenores que vivi, do que senti, da ansiedade,
da felicidade e agora sinto uma saudade, mas que espero matá-la em breve.
Lembro-me que corri o risco de perder o avião porque só fiz o check-in depois
deste ter fechado (obrigada à senhora que abriu a exceção de nos deixar
seguir), o taxista simpático que falou imenso connosco, que respondeu às nossas
perguntas e nos ajudou em tudo o que pode, à nossa “vizinha” de prédio,
portuguesa, Anabela que esteve sempre disposta a ajudar-nos e que nos abriu a
porta do prédio já passava das 3h da manhã para irmos buscar as malas.
À minha família, por todo o apoio, pelas palavras,
por terem suportado a distância, pela ajuda financeira que me deram antes de ir
(para poupar, tive de lhes pedir mais vezes dinheiro), ao meu pai com quem
discuti uns dias antes de ir e que por palavras me deu uma força ainda mais
especial para ir. Às minhas amigas, especialmente a Bárbara e a Chinesa, que me
apoiaram a 200% e que compreenderam perfeitamente que muitas vezes não tivesse
disponível porque tinha de trabalhar para juntar dinheiro para ir, porque
ficarem tão felizes quanto eu por este sonho se ter tornado realidade. Um
pedido de desculpa à Maria Rafaela porque, fazia anos no dia em que voltei e eu
esqueci-me de lhe dar os parabéns e por me ter aturado tantas vezes a falar
deste meu sonho. E um GRANDE, grande agradecimento
à Marta, que abdicou de muito do que gostava para poder embarcar nesta aventura
comigo, por ter ido comigo até Valência, mesmo que só o fosse por minha causa,
por me ter aturado durante 5 dias (confesso que talvez seja difícil), por tudo
o que abdicou por mim e pelo meu sonho.
Partilho a minha história, não com o intuito de
provocar alguém ou gabar-me dos meus feitos, aliás, eu nem os escrevi, mas
apenas para dar um incentivo a quem me lê e a quem me conhece, para lutar pelos
nossos sonhos, mesmo quando parecem realmente complicados, a nunca desistirem
porque no final tudo ganha uma justificação, no fim tudo vale a pena e dá ainda
mais um gosto especial à realização de um sonho!
Não sei se irei contar um pouco mais sobre o meu
sonho, sobre o que senti e sobre o que vivi, talvez o faça ou não, ainda não
decidi. Mas se o fizer, não será com certeza na próxima publicação, essa será
sobre um tema um pouco mais complicado de se falar…






